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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dengue to fora, será mesmo em Porto Alegre?


Geral | 08/12/2009 | 20h51min


Após confirmação de dengue, prefeitura faz bloqueio contra a doença na Capital


Secretaria Municipal da Saúde garantiu que a contaminação ocorreu fora do Brasil


Felipe Daroit | felipe.daroit@rdgaucha.com.br

Equipes da vigilância em saúde concluíram na tarde desta terça-feira a aplicação de inseticidas contra o mosquito Aedes Aegypiti, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. A ação foi motivada depois da confirmação que um homem vindo de El Salvador, recentemente, contraiu a dengue. Deviam aplicar diariamente "larvicida" na casa do prefeito e da governadora.

A Secretaria Municipal da Saúde informou que todas as medidas preventivas foram tomadas para evitar a proliferação da doença e garantiu que a contaminação ocorreu fora do Brasil.

RÁDIO GAÚCHA






Dengue sobe 100%

Dengue sobe 100%




Wanda Oliveira

Dengue sobe 100%

l Número de casos suspeitos em Goiânia apresenta salto após o início do período chuvoso, no mês de setembro l Secretaria Municipal de Saúde contabiliza 200 casos por semana, o dobro do registrado no mesmo período de 2008

09/12/2009


O número de casos suspeitos de dengue aumenta em quase 100% desde setembro em Goiâni em relação ao mesmo período do ano passado. A antecipação das chuvas, que começaram no final de agosto na cidade, leva o município a intensificar as ações de combate ao Aedes aegypti, o transmissor da doença. Ferros-velhos (sucatas) e borracharias são considerados pontos estratégicos para proliferação do vetor, por isso, esses locais recebem atenção redobrada. Na Capital, a oscilação da temperatura com dias de intenso calor ou chuvosos nesta época do ano contribui para o rápido desenvolvimento das larvas do mosquito. A diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cristina Laval, afirma que a dengue é uma doença sazonal e esse aumento já é esperado neste período chuvoso. Outro fator contribui para o crescimento das estatísticas. Segundo ela,  o profissional de saúde está capacitado e atento para notificar de imediato o quadro febril do paciente, que na maioria das suspeitas diagnostica a causa da doença como dengue. "Para o controle da enfermidade, é importante que todo caso suspeito seja notificado. Por isso, há intensificação das ações de combate ao vetor", diz. Os agentes de saúde também realizam visitas rotineiras em residências com larvas  e nas redondezas à procura de focos do Aedes aegypti. Outra preocupação das autoridades do setor é com os grandes criadouros, como depósitos de sucatas, canteiro de obras da construção civil, além daqueles que podem acumular água de chuva. "O índice de dengue aumenta quando para de chover. Nesta época do ano, é uma situação esperada pelas questões climáticas na nossa região", ressalta Cristina. Ela destaca que o crescimento manteve-se estável em setembro, outubro e novembro, mas afirma que a mudança precoce do clima este ano na região Centro-Oeste pode elevar ainda mais as taxas dos casos de dengue. "Espera-se esse aumento este ano porque, em 2008, o período chuvoso só começou no final de dezembro. Mas os agentes da SMS estão atentos e o combate não para. Será intensificado ainda mais nesta época do ano."  Em 2008, entre setembro e novembro, o sistema de monitoramento da SMS recebia, em média, 100 casos suspeitos de dengue por semana epidemiológica. Este ano, neste mesmo período por cada semana, há uma média de 200 casos suspeitos. 
Apesar do aumento no número de casos de dengue registrado desde setembro em Goiânia, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa que houve redução de 10% no índice de notificações suspeitas da doença em 2009 em relação ao mesmo período do ano passado.  Cristina Laval explica que, comparado com o mesmo período de 2008 até a penúltima semana de novembro, foram contabilizados 21.238 casos suspeitos. Essa redução aconteceu em conseqüência do trabalho realizado ao longo deste ano com parcerias público-privadas, participação do Exército, capacitação dos profissionais da área de Saúde e o envolvimento da população. "Casos de dengue hemorrágica e dengue com complicações e óbitos tiveram redução ainda mais expressiva", diz Cristina. 

Campanha
Uma nova campanha será lançada ainda este mês no combate à dengue em Goiás.  O projeto é da Secretaria Estadual de Saúde (SES) que visa orientar a população sobre os cuidados de prevenção ao Aedes aegypti, transmissor da doença. Hoje, o órgão divulga um novo boletim com os dados atualizados da dengue.  De acordo com a SES, até 21 de novembro, semana 47, foram registrados 34.677 casos suspeitos de dengue no Estado. Destes, 25 óbitos são investigados, sendo 14 por complicações e 11 por febre hemorrágica da dengue (FHD). No ano passado, foram contabilizados 44.977 casos suspeitos até a semana 46. Destes, 45 eram mortes, sendo 30 por complicações da dengue e 15 por FHD em relação ao ano de 2008.






Minha opinião: Enquanto não houver uma campanha continua contra o mosquito vetor, com duas visitas mensais dos agentes, não há solução e teremos sempre dengue. Dr. Carlos Henrique Castro.




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Temporão X Dengue.


Ministério da Saúde promove campanha de combate à dengue no Mato Grosso do Sul
19/11/2009 13h17


O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, desencadeou, dia 17/11, em Campo Grande, uma mobilização entre gestores e profissionais de saúde, além de comunicadores e formadores de opinião, no reforço às ações de combate à dengue no Mato Grosso do Sul. No Estado, onde houve no primeiro semestre um aumento de casos em relação ao mesmo período do ano passado, ele reiterou sua preocupação quanto à interferência das mudanças climáticas e à suscetibilidade das zonas de fronteira para o controle da doença. A segunda etapa de mobilização começou dia 16/11, pelo Amazonas.
“Eu quero chamar a atenção que esta doença só existe com a presença do vetor (o mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti). E esse é um grande desafio, porque há uma outra dimensão: o aquecimento global e a adaptação do vetor. As mudanças climáticas afetam o ritmo e a quantidade de chuvas e isso, para mim, tem um impacto que torna ainda mais complexo o combate à doença”, observou o ministro, no encontro realizado com jornalistas de todo o Estado, na Escola de Saúde Pública Dr. Jorge David Nasser.
No Estado, por exemplo, as mudanças climáticas foram apontadas como um dos fatores a interferir inclusive no período de maior incidência da doença. Enquanto nos anos anteriores, ocorria entre fevereiro e março, no ano passado foi entre abril e maio, apontou Temporão. Quanto ao controle das áreas na fronteira – Corumbá, na divisa com a Bolívia e o Paraguai chegou a registrar um surto no começo deste ano –, o ministro sustentou as ações de transferência de conhecimento e de materiais.
Esse tipo de ação já está ocorrendo em relação à Bolívia, por exemplo, país para o qual o Ministério da Saúde empreendeu o Levantamento Rápido de Índice de Infestação Predial porAedes aegypti (Liraa). “Em todas as regiões e cidades de fronteira, o problema é maior, porque não adianta nada se do lado de lá o combate não se der na mesma intensidade”, ressaltou.
Em Campo Grande, o ministro ainda realizou um encontro com gestores de saúde, no mesmo local, com as presenças do governador André Puccinelli, do prefeito do município, Nelson Trad Filho, e da secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi. Temporão participou da gincana promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, conhecida como “Bairros Unidos contra a Dengue”, e da entrega pelo governo estadual de 20 motos para auxiliar na supervisão das ações de combate à doença em 12 municípios do Mato Grosso do Sul.
Outros Estados 

A primeira fase da mobilização começou com a visita de Temporão a Pernambuco, Bahia e Ceará, na primeira semana de novembro. Outros três Estados prioritários para o controle da doença ainda deverão receber a visita do ministro, em datas ainda a serem confirmadas: Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Até o fim do mês, Temporão terá percorrido mais de 10 mil quilômetros.


*Período contabilizado: de 1º/janeiro a 1º/agosto
Fonte: Ministério da Saúde

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Temporão X Dengue.







18. Nov.2009 |

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou na tarde de ontem, em Mato Grosso do Sul, a campanha Brasil Unido contra a Dengue, uma verdadeira cruzada de combate ao mosquitoAedes aegypti. Acompanhado pelo governador André Puccinelli, pela secretária de Estado de Saúde, Beatriz Dobashi e pelo prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, o ministro anunciou as medidas que o governo federal pretende adotar para impedir que Estados como o Mato Grosso do Sul voltem a ser atingidos pela epidemia da doença que todos os anos superlota os postos de saúde, os hospitais públicos e particulares, gerando bilhões de gastos em tratamento médico e, infelizmente, provocando centenas de mortes em todo o Brasil. A presença de Temporão no Estado foi estratégica, tanto que, antes da solenidade de lançamento da campanha, o ministro se encontrou com comunicadores e formadores de opinião para despertar nos agentes a importância de se produzir materiais informativos de prevenção e controle da dengue.Em meio ao discurso decorado do ministro José Gomes Temporão, uma frase chamou a atenção: nenhuma campanha surtirá efeito contra a doença se não houver envolvimento direto de toda população com o combate ao mosquito transmissor da dengue. Temporão deixou claro que a mobilização é a única forma de impedir que a epidemia registrada nos anos anteriores se repita nos primeiros meses de 2010 em Mato Grosso do Sul. As pessoas devem atacar todo e qualquer ponto de água parada que possa servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti. A sociedade não pode fugir da obrigação de perseguir o mosquito e se cada família fizer a parte que lhe compete, a epidemia poderá ser evitada. Ao mesmo tempo, as autoridades precisam falar abertamente com a população, deixando claros os reais riscos da doença e intensificando a fiscalização em imóveis desocupados, terrenos baldios, ferros-velhos e lixões clandestinos espalhados por todo o Estado. Os proprietários de imóveis, inclusive aqueles que mantêm terrenos baldios, devem ser responsabilizados por eventuais focos de dengue encontrados em suas propriedades. O alerta se justifica pelos números: as notificações de casos de dengue em todo o País subiram para 406.883 até agosto, contra 387.158 ocorrências registradas até julho. Apesar do aumento real, houve queda de 46,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram confirmados exatos 758.051 casos de dengue em todo o Brasil. Neste ano, cinco estados apresentaram um aumento significativo de ocorrências, com o Acre liderando, percentualmente, as estatísticas: de janeiro a agosto de 2008 foram 2.141, volume que saltou para 18.106 no mesmo período de 2009. A Bahia apurou 33.541 registros até agosto do ano passado e no mesmo período deste ano foram 101.676 casos confirmados. No Espírito Santo, os registros saltaram de 33.403 para 50.482 e no vizinho Mato Grosso, os casos confirmados da doença pularam de 10.504 para 35.501. Mato Grosso do Sul não ficou fora do mapa de risco do Ministério da Saúde, já que as ocorrências saíram de 4.065 até agosto de 2008 para 12.441 no mesmo período de 2009, ou seja, é quase uma epidemia. A ameaça do retorno da dengue é patente e para impedir o avanço da doença, os governos municipais, estadual e o federal devem preparar melhor os agentes de saúde e definir com maior precisão as áreas prioritárias para ação. No cenário nacional, o Ministério da Saúde promete universalizar os protocolos de conduta entregues aos profissionais de saúde.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dengue e omissão:



UMA PROPOSTA DE DISPONIBILIZAR-SE UM APARELHO DE ECOGRÁFIA PORTATIL NO AUXILIO DO ACOMPANHAMENTO CLÍNICO DO ENFERMO COM DENGUE.

Marquetti M. C. F. Instituto de Medicina Tropical Pedro Kouri. Havana-Cuba; Castro H.C. Hospital Geral de Ipiaú. Ipiaú - Bahia; Gomes P.L Hospital Carlos Chagas. Rio de Janeiro. Castro H.R.C. Faculdade Medicina Vale do Aço. Ipatinga - Minas Gerais.

Castro H.C; Gomes P.L; Castro C.R; Castro L.R; Castro C.H.R.

Hospital Geral de Ipiaú. Ipiaú-Bahia.

OBJETIVO: Apresentar um método de diagnostico por imagem que auxilia o diagnostico clínico precoce da dengue severa e que deve ser utilizado de rotina pelos órgãos governamentais. Pois pode utilizar-se um aparelho portátil de baixo custo e de fácil locomoção e uso.

MATERIAIS E MÉTODOS: Foram realizados exames ecográficos detectando a saída de plasma e a sua reabsorção posterior, em pacientes com diagnóstico de dengue. Os achados foram comparados com os descritos na literatura.

RESULTADOS: Os achados ecográficos mais relevantes foram espessamento difuso da parede da vesícula biliar, ascite, esplenomegalia, hepatomegalia, líquido pericolecístico e derrame pleural. Na maioria das vezes a duração da doença e de 5 a 10 dias. Após o 5º. Dia alguns pacientes podem apresentar sangramento e choque. Frise-se que a reabsorção do plasma e muito rápida. Por isso é fundamental o reconhecimento precoce dos sinais ecográficos da Dengue. Estes sinais de alarme que anunciam a eminência do choque na maioria das vezes duram algumas horas. Quando o choque se prolonga ou é recorrente se prolongando mais de 48 horas pode-se instalar uma síndrome respiratória grave por edema pulmonar não cardiogênico.

CONCLUSÃO: Os achados ecográficos são uma ferramenta adicional útil na confirmação de casos suspeitos de dengue severo e na detecção precoce da gravidade e da progressão da doença. Além de demonstrar por imagem o grande risco durante a defervescência seguida da reabsorção do liquido contido na cavidade. Pois nunca se deve dar neste momento uma alta precoce ante o risco de edema pulmonar seguido de óbito.

A dengue pode ser inaparente do ponto de vista clínico ou pode causar doença de intensidade variável, que vão desde dores febris a uma participação mais intensa do organismo levando à doença severa, choque e hemorragias. O importante e frisar que a gravidade não é pelo sangramento, mas evidenciada pelo extravasamento de plasma. Citando um trabalho do Dr. Eric Martínez Torres e colaboradores em El Salvador, quando estudaram a morte de 30 crianças com dengue entre 1999 e 2000. Em 20 dos 24 casos (83%) morreram durante os primeiros 3-D de internação, a condição associada com a morte foi choque hipovolêmico, às vezes associadas à hemorragia, coagulação intravascular disseminada, síndrome do desconforto respiratório por edema pulmonar não cardiogênico, danos múltiplos a outros órgãos (fígado, coração e rins) , as complicações foram recorrentes de choque ao invés de complicações da dengue. A associação com infecção bactéria deve ser ressaltada. A dengue é a morte e em grande parte evitável se prevenção de choque é tratada precocemente e de forma agressiva com solução cristalóide endovenosa e identificação de sinais de advertência que anunciam o início da deterioração clínica dos pacientes com dengue. Dos 30 casos estudados, 24 foram mortos em 0-72 h de internação e mais da metade (21 casos) foram encaminhados para o hospital vindo de outros hospitais. Todos tiveram febre e dores no corpo antes da admissão, manifestações gastrointestinais e se refere prurido e algum sangramento em metade dos casos. Os pacientes também tiveram algum sangramento durante o período de internação. Em 20 dos 24 casos (83%) que morreram durante os primeiros 3-D de internação, a condição a morte foi associada com choque hipovolêmico. Em 08 casos, a síndrome do choque foi associada com dificuldade respiratória. Neste período inicial de internação (0-72 h) também foram mortos 04 casos em que a hemorragia foi considerada a condição mais importante associado com a morte (sempre nestes casos, a morte ocorreu dentro de 48 h), como já tinham sido identificados sinais de choque. Quando a morte ocorreu após 72 horas de internação, a condição mais comum associado com morte foi a co-infecção (04 casos), com o foco de infecção pulmonar em 3 (pneumonia com derrame pleural ou sem isso) e meningoencefalite purulenta no caso restante. Outro paciente morreu após vários dias de internação apresentando um quadro clínico de febre com a consciência danificada, e disfunção renal. Em todos os casos de autópsia, no exame macroscópico foi observada ascite e derrame pleural e discreto derrame pericárdico em 5 casos. Os pulmões estavam sempre aparência hemorrágica, o fígado era suave e de coloração amarelada e metade do tempo foi visto sangrando da cápsula do fígado. O baço era sempre congestionamento alargado e tinha uma consistência macia. Todos os órgãos estudados apresentaram edema e hiperemia. O choque foi, sem dúvida, a condição mais comum associado com a morte destes enfermos. O choque pode ser causa direta da morte porque é um estado de falência. Que também pode induzir complicações sistêmicas como sangramento intenso, com ou sem CIVD e falência de múltiplos órgãos devido à síndrome de hipoperfusão / reperfusão com várias alterações funcionais que se sobrepõem e determinar a morte global do paciente. No choque da dengue, é principalmente hipovolêmico por extravasamento maciço de plasma ocorre através do endotélio devido a vários mecanismos fisiopatológicos. O choque da dengue, como de costume ocorre de forma súbita, intensa e transitória, por isso poderia ser a causa extravasamento de plasma determinado pelo vazamento de citosinas pró-inflamatórias (TNF-alfa, IL-1, IL-8, IL-10). E outros mediadores
como E-selectina e ICAM-1 e lise de células endoteliais por apoptose após a ação de cito quinas. A própria ação de anafilatoxinas resultantes da ativação do complemento também possa
contribuir para choque. Os mecanismos fisiopatológicos que levam ao mesmo choque da dengue podem produzir edema pulmonar não cardiogênico, que se manifesta clinicamente como síndrome do desconforto respiratório que leva o paciente a morrer por afogamento em suas próprias secreções. Significativamente, a síndrome da angústia respiratória do adulto adultos e crianças. A ingestão excessiva de líquidos durante a fase de choque de repetição, que pode demorar 24 horas, é um fator de importância, especialmente se os colóides têm sido utilizados na tentativa de reanimação. As provas cada vez mais de lesão miocárdica nesses pacientes precisam levar em conta a possibilidade de um quadro de baixo débito, que coexiste com os mecanismos anteriormente referidos. O envolvimento do fígado por dengue expressa enzimas sérica aumentada de 05 vezes ou mais acima dos seus valores normais.

É possível prevenir a morte de dengue?

A demonstração de que o choque é a condição mais comum associado com a morte de crianças com dengue concorda com estudos realizados em crianças que morreram durante a epidemia de DEN-2 em Cuba em 1981. Quando se reconstruiu a história natural da doença sofrida pelo falecido, com menos de 15 anos, se constatou que o quarto dia foi o momento do acidente e no quinto foi o dia da morte. Enquanto quase todos os pacientes tinham apresentado durante o terceiro dia de doença, vômito freqüente, dor abdominal, irritabilidade intensa e sustentada, ou sonolência, sinais que então eram considerados de "alarme" para anunciar o iminente choque. Devem-se utilizar energicamente soluções cristalóides. Esta medida terapêutica pode ser salva-vidas. Importante ressaltar o risco das transferências desnecessárias.

CRITÉRIOS PARA O TRATAMENTO DE DENGUE:

1) Se existe ou não fuga capilar

2) Se for dengue clássica, existe ou não complicações?

3) Se há ou não hemorragias graves, com ou sem choque. Devemos individualizar paciente a paciente apesar de usar algoritmos para orientação, alguns questionamentos deverão ser respondidos: é um caso de dengue ou trata-se de um caso clássico, com manifestações clínica atípica ou dengue hemorrágica?

Essas perguntas devem ser respondidas no primeiro atendimento e nas avaliações seguintes porque um mesmo indivíduo pode apresentar clinicamente uma dengue clássica e horas, ou 02 ou 03 dias depois, ter um quadro típico de dengue hemorrágica, evoluindo para graus mais graves em poucas horas. Do mesmo modo a recuperação após cessar o extravasamento de líquidos poderá ocorrer de forma súbita e a manutenção de uma terapia de reposição de volume agressiva poderá produzir efeitos iatrogênicos graves. Deve-se observar que a fuga capilar em geral ocorre por um período de apenas 12 a 36 horas. Cardiopatas, pneumopatas, crianças que tenham convulsões, grávidas e idosas deverão ter um tratamento especifico para a febre, pois é sabido que nestes casos a febre poderá aumentar o consumo de oxigênio, induzir aborto ou ser teratogênica ou ainda induzir crises convulsivas. Deverá ser utilizado paracetamol em doses padrão a cada 6 horas. A dipirona poderá ser utilizada por via oral ou parenteral. O uso de paracetamol em doses elevadas esteve associado a casos graves de falência hepática pelo uso de altas doses. A hidratação é um ponto crucial no tratamento da dengue e febre hemorrágica da dengue. De uma forma ou de outra, todos necessitarão de suplementação hídrica. A hidratação deverá ser feita preferencialmente por via oral por ser mais fisiológica. No caso de surto epidêmico deverá ser criada uma sala de atendimento para pacientes com dengue. Nos pacientes com vômitos em grande quantidade ou com instabilidade hemodinâmica a via venosa deverá ser preferencial até que se estabilize o paciente. Nos casos graves a coleta de hematócritos seriados será o melhor indicador da necessidade da reposição hídrica. Nos casos de choque a reposição deverá ser rápida para que não haja agravamento do caso e óbito. A percepção do choque se faz a partir do retardo do tempo de enchimento capilar, que estará acima de 2 segundos e da aproximação dos valores da pressão sistólica e diastólica. No dengue o choque poderá ocorrer com pressão sistólica de 100 mmHg, desde que a mínima seja de 85 mmHg. Isso se deve ao fato de, no início do choque por dengue, haver um aumento da pressão diastólica. Diante de um caso associado a choque a infusão de líquidos cristalóides deverá ser de 10 a 15 ml/kg por hora nas primeiras 6 horas, geralmente o paciente estará estável ao final e se poderá reduzir a velocidade de infusão para 5-10 ml/kg/hora nas próximas seis horas. A reposição de fatores de coagulação, como o plasma fresco e ainda albumina humana deverão ser desencorajados, exceção para casos de muita gravidade associados a choque refratário. O uso de aminas dopaminérgicas só deverá ser feito após vigorosa hidratação e os níveis pressóricos permanecerem críticos. Se o paciente estiver bem, aceitar a dieta, se o hematócrito normalizar, e a pressão arterial estiverem estáveis, a hidratação venosa deverá ser suspensa. Caso o hematócrito normalize ou atinja níveis baixos, mas surgir quadro de dispnéia, é possível que esteja ocorrendo à reabsorção dos derrames cavitários e em associação com a hidratação vigorosa, pode estar levando a um edema pulmonar. Neste caso a hidratação deverá ser suspensa e o uso de diuréticos indicado. Se o hematócrito apresentar queda importante, queda da pressão arterial ou taquicardia significativa é possível que esteja havendo hemorragia não exteriorizada, e deve-se pensar em hemotransfusão. Apenas nos casos em que se suspeite de sangramento no sistema nervoso central a transfusão de plaquetas deverá ser indicada, mesmo que os níveis de plaquetas estejam em torno de 50 mil. O uso profilático de plaquetas não deve ser usado, sendo reservado para tratamento de sangramentos importantes, raramente presentes em casos de febre hemorrágica da dengue. A alta hospitalar será estabelecida pelo bom estado geral, retorno à alimentação, estabilização do hematócrito e nível de plaquetas acima de 50 mil.

Resumo:

Dengue sem sinal de alarme.

Dengue com sinal de alarme.

Dengue severo.

Febre elevada + 2 critérios.

Observação estrita e intervenção médica hospitalar.

Náusea, vômitos, exantema, cefaléia, mialgia, prova do laço +, leucopenia e qualquer sinal de alarme. Devendo ser confirmado posteriormente pelo laboratório.

Dor espontânea ou provocada do abdômen, vômitos persistentes, acumulação clínica de fluidos, derrames serosos, sangramento das mucosas, letargia, irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, aumento do hematócrito, associado com queda rápida e acentuada das plaquetas.

O US. E um método de diagnostico por imagem que auxilia o diagnostico clínico precoce da dengue severa e que deve ser utilizado de rotina pelos órgãos governamentais. Pois pode se utilizar um aparelho portátil de baixo custo e de fácil locomoção e uso. São realizados exames ecográficos detectando a saída de plasma e a sua reabsorção posterior, em pacientes com diagnóstico de dengue. Os achados ecográficos mais relevantes foram espessamento difuso da parede da vesícula biliar, ascite, esplenomegalia, hepatomegalia, líquido pericolecístico e derrame pleural. Na maioria das vezes a duração da doença e de 5 a 10 dias. Após o 5º. Dia alguns pacientes podem apresentar sangramento e choque. Frise-se que a reabsorção do plasma e muito rápida. Por isso é fundamental o reconhecimento precoce dos sinais ecográficos da dengue. Estes sinais de alarme que anunciam a eminência do choque na maioria das vezes duram algumas horas. Quando o choque se prolonga ou é recorrente se prolongando mais de 48 horas pode-se instalar uma síndrome respiratória grave por edema pulmonar não cardiogênico. Os achados ecográficos são uma ferramenta adicional útil na confirmação de casos suspeitos de dengue severo e na detecção precoce da gravidade e da progressão da doença. Além de demonstrar por imagem o grande risco durante a defervescência seguida da reabsorção do liquido contido na cavidade. Pois nunca se deve dar neste momento uma alta precoce ante o risco de edema pulmonar seguido de óbito.

domingo, 8 de novembro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

100 anos depois a sífilis ainda é problema

Treponema pallidum

100 anos depois a sífilis ainda é problema

Em 1905 Fritz Richard Schaudinn e Paul Erich Hoffmann (ambos microbiologistas alemães) descreveram o Treponema pallidum como o agente causador da sífilis.

Em 1906 o também bacteriologista alemão August Paul von Wassermann desenvolveu a primeira sorologia para sífilis (Lues).

Embora essas descobertas sejam altamente eficazes e muito usadas na prática médica atual e que o tratamento da sífilis seja uma realidade há pelo menos 50 anos, a doença se mantém como um sério problema de saúde pública em todo o mundo. Especialmente nos países menos desenvolvidos ou em desenvolvimento. Todavia, a doença também acomete muitas pessoas que vivem em países desenvolvidos.


Prof. Dr. Mauro Romero Leal Passos